Executivo tem definido como prioridade a execução da Agenda Nacional do Emprego
O Executivo mantém o compromisso de colocar os cidadãos no centro das políticas públicas, apontando as questões demográficas, sobretudo a estrutura etária, como oportunidade para acelerar o crescimento económico do país, afirmou, quarta-feira, em Luanda, o secretário de Estado para o Planeamento.
Luís Epalanga, que fez a abertura da Conferência Nacional em alusão ao Dia Mundial da População, que se assinala a 11 deste mês, referiu que o Executivo tem definido como prioridades a implementação da Agenda Nacional do Emprego e o fortalecimento do Fundo Nacional do Emprego.
O objectivo central destas plataformas, explicou, é estimular o empreendedorismo e facilitar o acesso da massa jovem ao primeiro emprego e ao crédito.
A sustentabilidade desses projectos sociais tem suporte na reforma macroeconómica que o país experimenta, declarou.
“Cada criança que nasce representa um futuro estudante, um futuro trabalhador e cada trabalhador representa maior produtividade”, disse o secretário de Estado, acrescentando que para que esta engrenagem funcione são necessários investimentos massivos em saúde, saneamento, habitação e emprego.
Indicadores de saúde
A conferência, que decorreu sob o lema “Aproveitar o dividendo demográfico: investir nas pessoas, no planeamento e em acelerar o desenvolvimento sustentável”, trouxe, também, os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS), que apontam para uma tendência de queda na taxa de fecundidade no país.
Em 2016, disse o secretário de Estado, a média era de 6,2 filhos por mulher, número que recuou para 4,8 em 2024.
Segundo Luís Epalanga, esta redução reflecte a expansão da escolarização feminina, a urbanização e o maior acesso a serviços de planeamento familiar voluntário. “Com famílias menores, aumenta-se a capacidade de investimento no bem-estar de cada filho e reduz-se a razão de dependência económica nas famílias”, disse.
UNFPA perspectiva um futuro mais próspero e sustentável
A urgência de investir no “dividendo demográfico” para garantir um futuro próspero e sustentável a Angola foi defendida ontem, em Luanda, pela directora regional do UNFPA para a África Oriental e Austral.
Lydia Zigomo sublinhou que o dividendo demográfico começa precisamente na base da sociedade, quando os jovens são saudáveis, educados e têm capacidades para participar de forma plena na vida socioeconómica.
“Com cerca de dois terços da sua população abaixo dos 25 anos, Angola posiciona-se actualmente como uma das nações mais jovens do mundo. Paralelamente, os dados indicam um aumento na esperança de vida dos angolanos, uma mudança na estrutura etária que sinaliza uma clara transição demográfica e abre uma janela de oportunidades sem precedentes”, disse a diplomata ao serviço das nações Unidas.
Lydia Zigomo defende que o financiamento para a agenda da Conferência Internacional sobre a População e Desenvolvimento (ICPD) não deve ser visto como um custo, mas como um dos retornos de investimento mais inteligentes que os Governos e os seus parceiros podem fazer.
Enfatizou que o desenvolvimento sustentável começa com as pessoas, com o respeito pelos seus direitos, pela dignidade e pelo acesso à saúde sexual e reprodutiva.
A directora regional do UNFPA, Lydia Zigomo, enalteceu o facto de as instituições nacionais de Angola continuarem a ser fortalecidas com dados e políticas públicas de excelência para que os jovens não sejam vistos apenas como líderes de amanhã para o país.