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Governo 25-09-2026
Primeira-Dama de Angola participa em vários eventos em Nova Iorque

A Primeira-Dama da República de Angola, Ana Dias Lourenço, participou esta quarta-feira, 23 de Setembro, em Nova Iorque, no fórum com o tema “Promovendo a Justiça Reparativa, a Restituição Cultural e a Transformação da Economia Criativa da África, promovido pela Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD).

Na sua intervenção, a Primeira- Dama da República disse a justiça não deve ser encarada como um acto de benevolência ou caridade, porque ela constitui um imperativo de restituição, um direito legítimo e o alicerce fundamental para uma ordem internacional verdadeiramente equitativa.

Para Ana Dias Lourenço, as instituições continentais e os blocos regionais têm de se posicionar como os principais arquitectos da mudança, para que a justiça reparativa se converta em realidades tangíveis.

É preciso exigir a a reforma urgente da arquitectura financeira global que ainda hoje perpetua ciclos de dependência e haver uma voz comum nos palcos multilaterais, segundo Ana Dias Lourenço.


De igual modo, defendeu a criação de quadros jurídicos e políticos robustos que fundamentem as reivindicações de reparação à escala global, com base no direito internacional.

Em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU, foi realizado na terça-feira um evento da Organização das Primeiras-Damas Africanas pra o Desenvolvimento (OPDAD), na qual Ana Dias Lourenço é Vice-Presidente.

O evento sob o tema “OPDAD: um legado de liderança a serviço das mulheres e meninas” foi uma oportunidade para reflexão da notável trajectória da OPDAD, celebrar suas parcerias duradouras e definir uma visão compartilhada para o próximo capítulo.

No mesmo dia, terça-feira, Ana Dias Lourenço fez-se presente na cerimónia de recepção com da Primeira-Dama dos Estados Unidos da América, Melania Trump, com o tema "Promovendo o futuro juntos".

Pela segundo ano consecutivo, a Primeira-Dama da República marcou presença na segunda-feira, 21 de Setembro, no encontro promovido pela organização Theirworld, sob o tema “A educação constrói-se amanhã”. Esta organização é liderada por Sarah Brown, activista e esposa de Gordon Brown, ex- Primeiro- Ministro do Reino Unido.

Fonte: Cipra
Governo 25-09-2026
Angola vai implementar novas medidas para facilitar a circulação nos corredores regionais

Angola vai implementar, entre 2026 e 2028, novas medidas para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias nos corredores rodoviários regionais, como parte da segunda fase do Programa Tripartido de Facilitação de Transportes e Trânsito (TTTFP).

As medidas integram a harmonização de tarifas, simplificação dos procedimentos fronteiriços, reforço das inspecções de veículos e partilha de informações entre os países.

Essas medidas foram apresentadas hoje, 23 de Setembro, durante a Primeira Reunião Ordinária da Comissão Multissectorial responsável pela sua implementação em Angola, presidida pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca.

No final do encontro, o secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Jorge Bengue, explicou que o objectivo é reduzir as barreiras que dificultam o transporte e o trânsito entre os países da região, através da aproximação das normas e procedimentos aplicados ao transporte rodoviário.

A Comissão Miltissectorial deverá tratar da harmonização da formação dos condutores, reforço das inspecções periódicas dos veículos, melhoria das condições de transitabilidade e da instalação e funcionamento adequado de balanças nos principais corredores.

O plano prevê igualmente a simplificação dos procedimentos nas fronteiras e uma maior aproximação das tarifas cobradas pela circulação rodoviária nos diferentes países.

Segundo Jorge Bengue, a harmonização não significa que todos os países tenham de aplicar exactamente as mesmas taxas, uma vez que existem diferenças nas estruturas de custos e nas condições económicas.

A Comissão Miltissectorial vai também trabalhar na melhoria da eficiência dos corredores logísticos para transportação de mercadorias e na redução do tempo de viagem, principalmente no corredor que liga Windhoek, Luanda, Kinshasa e Kigali.

Fonte: Cipra
Governo 25-09-2026
Jurista defende reforço institucional para litígios de investimento

O jurista Carlos Feijó defendeu o reforço da capacidade institucional e jurídica de Angola para prevenir e responder a litígios decorrentes de investimentos internacionais, tendo em conta a evolução do quadro jurídico das relações económicas entre Angola e a China.

A posição foi apresentada durante a conferência “O Papel do Direito na Protecção dos Investimentos China–Angola”, realizada na quarta-feira, 23 de Setembro, em Luanda, onde o professor catedrático analisou os desafios colocados pelo Acordo de Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos entre os dois países, em vigor desde 2023.

Para Carlos Feijó, a nova realidade exige maior preparação das instituições públicas e dos profissionais do Direito para lidar com processos de arbitragem de investimento e com disputas relacionadas com contratos, financiamento e medidas regulatórias do Estado.

São prioridades a actualização da Lei da Arbitragem, a clarificação do regime jurídico da apropriação pública e a formação de advogados angolanos especializados em arbitragem e investimento internacional.

“É preciso pensarmos bem no regime de apropriação pública que temos na nossa Constituição. É preciso actualizar a nossa Lei de Arbitragem e, mais do que isto, é preciso a capacitação institucional para o contencioso de investimento para os advogados angolanos”, afirmou.

O professor defendeu ainda a criação de um mecanismo institucional permanente para a interpretação conjunta do acordo bilateral Angola–China, com particular atenção a disposições como a cláusula da nação mais favorecida.

Segundo Carlos Feijó, o Acordo de Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos entre Angola e a China, negociado durante cerca de 12 anos e em vigor desde 2023, introduziu alterações relevantes no regime de protecção dos investimentos e nos mecanismos de resolução de litígios.

Uma das principais mudanças identificadas pelo jurista é a possibilidade de recurso a mecanismos internacionais de arbitragem de investimento, nos termos previstos no tratado, sem que seja necessariamente exigido o esgotamento prévio das vias judiciais internas.

A alteração reforça a importância da preparação jurídica do Estado angolano perante eventuais disputas com investidores abrangidos pelo acordo, segundo o professor Carlos Feijó.

Os riscos identificados são as situações de expropriação ou apropriação pública, alterações regulatórias, mudanças no regime cambial, revogação de incentivos e incumprimento de obrigações contratuais pelo Estado ou por entidades públicas.

O jurista chamou a atenção para o conceito de expropriação indirecta, associado a situações em que determinadas medidas públicas, embora não impliquem uma transferência formal da propriedade, podem afectar de forma substancial o valor económico de um investimento ou o exercício dos direitos do investidor.

Na sua análise, o regime de protecção estabelecido pelo acordo bilateral poderá abranger situações que não encontram solução equivalente ou integral no direito interno angolano.

O jurista destacou, neste contexto, a importância de uma adequada estruturação dos contratos de investimento e financiamento, incluindo mecanismos destinados a proteger os interesses das partes em caso de incumprimento.

As cláusulas são garantias reais, contas de garantia, cláusulas de vencimento antecipado, cláusulas de estabilização, escolha da lei aplicável e disposições elativas à renúncia, à imunidade de execução.

DIFERENTES MECANISMOS DE ARBITRAGEM NOS FINANCIAMENTOS

A conferência abordou ainda os diferentes enquadramentos jurídicos utilizados nos contratos de financiamento celebrados entre entidades angolanas e instituições financeiras chinesas.

Nos créditos concessionais associados ao China Exim Bank, o levantamento apresentado por Carlos Feijó identificou contratos que remetem para a aplicação da lei chinesa e para a arbitragem da Comissão Chinesa de Arbitragem Económica e Comercial Internacional, em Beijing.

Nos financiamentos de natureza comercial associados ao China Development Bank, foram identificadas soluções distintas quanto à legislação aplicável e aos mecanismos de resolução de litígios.

Alguns contratos remetem para a lei inglesa, outros para a lei do Estado de Nova Iorque, enquanto vários estabelecem a arbitragem ao abrigo das regras da Câmara de Comércio Internacional.

Segundo o professor, as opções adoptadas nos contratos podem ter implicações relevantes em situações de incumprimento, execução de garantias e reestruturação de dívida.

Com a entrada em vigor do acordo bilateral de protecção de investimentos, assumem maior relevância as normas internacionais aplicáveis à protecção dos investidores e os mecanismos de arbitragem previstos para a resolução de determinados litígios.

Para Carlos Feijó, este novo contexto exige que Angola reforce a preparação das instituições públicas, melhore a capacidade técnica dos seus profissionais e assegure maior clareza do quadro jurídico aplicável aos investimentos.

O jurista defendeu, neste âmbito, a necessidade de aprofundar a reflexão sobre o regime de apropriação pública previsto na Constituição e de actualizar a legislação angolana em matéria de arbitragem, de modo a adequá-la aos desafios colocados pelo recurso a mecanismos internacionais de resolução de litígios.

No âmbito da conferência, foi igualmente abordado o tema “A Experiência das universidades chinesas: como transformar conhecimentos em desenvolvimento dos países”, apresentado pelo presidente da Xiangtan University, Liao Yongan.

A intervenção permitiu enquadrar a experiência das instituições de ensino superior chinesas na produção e aplicação do conhecimento como instrumento de apoio ao desenvolvimento, reforçando a dimensão académica e institucional do intercâmbio entre Angola e a China.

A conferência, promovida pela Unidade de Gestão do Gabinete de Quadros do Presidente da República, reuniu estudantes, especialistas e intervenientes ligados às áreas do Direito, investimento, cooperação académica e relações económicas entre os dois países, com o objectivo de promover a reflexão sobre os desafios e oportunidades decorrentes do aprofundamento da cooperação Angola–China.

Fonte: Cipra

scm.gov.ao Ministra, Secretária do Conselho de Ministros

Ana Maria da Silva Sousa e Silva



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