Presidente lança Cimeira Global de Investimentos
O Presidente da República e da União Africana, João Lourenço, lança hoje, no Dubai, a Cimeira Global de Investimento para África, uma nova plataforma internacional destinada a promover o investimento privado como motor do desenvolvimento sustentável do continente africano.
A informação foi avançada, ontem, pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, no quadro da participação de Angola na Cimeira Mundial de Governos, que arranca hoje.
“É uma nova plataforma que vai nascer aqui, sob a liderança de Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço. A ideia é clara. Durante muito tempo o continente africano beneficiou da ajuda ao desenvolvimento, mas essa ajuda não trouxe as soluções que gostaríamos para o desenvolvimento pleno de África”, sublinhou o ministro.
De acordo com Téte António, a “Global Investment Summit for Africa” surge da necessidade de uma mudança de paradigma, passando da dependência da ajuda externa para um modelo assente no investimento estruturante dentro do continente.
O tema central da nova plataforma é precisamente a transição “da ajuda ao desenvolvimento para o investimento no continente africano”, avançou.
Segundo o ministro, existe a perspectiva de a primeira edição formal da Cimeira Global de Investimentos para África vir a realizar-se em Luanda, sublinhando, no entanto, que o seu lançamento no Dubai constitui o primeiro passo para a consolidação da iniciativa.
No evento paralelo, o Presidente da República e da União Africana lidera o lançamento da plataforma em colaboração com o ex-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, contando ainda com a participação dos Presidentes do Ghana, John Mahama, da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, de Moçambique, Daniel Chapo, além de representantes da comunidade empresarial internacional.
“Nós gostaríamos de ver uma plataforma que cresça e que transmita uma mensagem clara. O continente africano não precisa apenas de ajuda, precisa de investimento para fazer uso do enorme potencial que tem”, sublinhou o ministro.
Téte António destacou nesse contexto que o crescente interesse internacional pelos minerais críticos africanos deve ser acompanhado por políticas que promovam a transformação local e o desenvolvimento sustentável.
“Não pode ser como nos anos 40, 50 ou 60, em que apenas se transportava a matéria-prima sem transformação local e sem benefícios reais para o continente”, alertou.
Corredor do Lobito no centro dos debates
O ministro das Relações Exteriores adiantou que temas como a logística e os transportes vão conduzir, naturalmente, ao Corredor do Lobito, que deverá merecer atenção especial durante os debates.
“Introduzimos o Conceito de Corredor como um ‘pool’ de desenvolvimento, que integra agricultura, turismo, transformação industrial e outros domínios do desenvolvimento económico”, explicou, sublinhando o papel do Corredor do Lobito como símbolo de integração económica regional.
A plataforma a ser lançada no contexto da presidência de Angola na União Africana, segundo o ministro, constitui parte do legado do país à frente da organização continental.
“Não se pode falar desta plataforma sem falar do legado da República de Angola como Presidente da União Africana. É uma ideia que foi sendo trabalhada sob liderança angolana e cuja contribuição será sempre recordada”, afirmou.
Em relação à abertura da comunidade internacional ao apelo africano para o investimento, Téte António assegurou que o continente é hoje encarado como uma região de oportunidades.
Sobre o fim do mandato de Angola na presidência da União Africana, o ministro afirmou que o país cumpriu a estratégia definida e deu o seu contributo ao continente.
“Deixaremos que outros avaliem o trabalho de Angola, mas consideramos que demos a nossa contribuição. É um trabalho contínuo e estaremos sempre disponíveis para continuar a servir África”, concluiu.